Sala de aula

foto: Diana Souza

Olá! Estou iniciando aqui uma série de textos que irão abordar temas de sala de aula de dança oriental e de tribal fusion. Neste texto iremos falar de aulas de dança oriental, porém serve para os dois, pois comportamento não depende de estilo ou modalidade.

O tema deste texto é: Professor(a), qual sua atitude quando a aluna demonstra técnica superior à sua?

Já passei por isso no papel de aluna e de professora. Vou contar alguns episódios aqui, e dentre as vezes que passei por isso como aluna, irei destacar duas ocasiões, sendo que teremos a professora 1 e a professora 2. A professora 1 é uma professora de um estúdio pequeno (ela não é de SC, fiquem tranquilas, profes kkk), com várias conquistas de competições locais não relacionadas à dança oriental. Ela tem poucos seguidores nas redes, porém seu estúdio normalmente tem bastante alunas. Ela não tem muito reconhecimento no mundo da dança oriental. A professora 2 é reconhecida internacionalmente. Já dançou no Egito, é uma celebridade nacional e muito respeitada pela comunidade da dança oriental. Seu estúdio está sempre cheio, e seu nome está em vários festivais pelo país. Vamos então às situações:

Na aula da professora 1, eu e outra aluna acabamos por demonstrar técnica superior à ela em alguns movimentos que ela estava propondo. Além disso, eu e esta outra aluna a auxiliávamos quando ela se esquecia da coreografia. Sua atitude: 1. tentar desesperadamente encontrar algum erro na execução dos movimentos. Eu fiquei muito agradecida, pois eram erros que não havia percebido, e foi muito útil. 2. Demonstrou nervosismo. 3. elogiava as outras alunas para que todos desviassem o olhar de mim e da minha colega. 4. dispensava as observações sobre as coreografias e decidia mudar na hora os passos por diversos motivos.

Na aula da professora 2, acabei por executar bem um movimento que ela passou, e era uma honra estar em sua classe. Sua atitude foi imediata. Ela apontou para mim com orgulho e falou “Olhem, pessoal! É assim que se faz!” Eu com vergonha, parei de realizar o movimento e fiquei toda vermelha. Ela pediu: “Não pára não! Quero que eles vejam, continua!”. Ela reconheceu imediatamente, e ajudou os alunos a visualizarem melhor o que era para ser feito.

Agora, vamos analisar os currículos das professoras 1 e 2 mencionados acima. Será que a atitude delas tem algo a ver com o quanto elas são reconhecidas? SIM. Se sua atitude é como a da professora 2, você tem várias vantagens. Você vive de forma mais leve; procura treinar aquilo que alguém faz melhor que você para que alcance aquele resultado também, e você tem humildade. Isso levou a professora 2 ao status que tem hoje, pois ela é facil de lidar, os contratantes a amam! E ninguém é muito bom em tudo. Quando uma aluna faz melhor que você, isso não é motivo de vergonha. Isso é motivo de celebração; faça uma festa na sala de aula no momento que isso acontecer, faça daquele momento um momento bom, divertido e leve.

Aconteceu comigo como professora também, claro. Todos os professores de dança estão sujeitos a isto, pois nunca sabemos o nível de experiência do aluno – às vezes ultrapassa o seu, e tudo bem, porque ele está ali para treinar e você para ensinar, não para dar um show. Vou contar duas situações que aconteceram comigo no papel de professora. Estou expondo aqui, porque você, professor, deve olhar para dentro de si e verificar suas atitudes. É difícil reconhecer erros na gente, sempre achamos que estamos arrasando, não é?

Na primeira vez de imediato me senti um pouco envergonhada. A sensação de explicar como fazer algo para alguém que faz bem melhor que você é no mínimo, estranha; adicione o fato de estar na frente de outras 8 pessoas, e quem é professor inexperiente e novo no mercado como eu era na época, tem um pouco de dificuldade. Mas isso foi só nos primeiros segundos. Depois que continuei vendo a menina dançar, o que pensei foi que fiquei muito feliz e orgulhosa de ter aquela pessoa como aluna, me senti honrada por ter sido escolhida por ela. Quando conversamos, ela revelou que seu tempo de experiência realmente ultrapassava o meu, por uns 10 anos. E tudo bem! Porque seu objetivo ali era “tirar a ferrugem”, e pra ela não importava quanto tempo de dança eu tinha, e sim o que eu poderia oferecer pra ela em termos de treinamento. Na segunda vez, já bem mais experiente e tranquila, usei a pessoa como exemplo para as outras alunas, para que elas tivessem um estímulo visual melhor do que o que eu poderia oferecer. Ela ficou envergonhada, mas também com orgulho de si mesma e do que ela podia fazer. As outras alunas a encorajaram, fazendo um momento agradável na aula, com diversão!

Com carinho,
Aline Pires

Meu Instagram: @alinepiresbellydance

Aline Pires é professora e bailarina de dança oriental e tribal fusion e graduanda em Educação Física pela UFSC.