Plano de aula

Este texto é indicado para quem está começando a dar aulas de dança e se encontra um pouco perdido quando se trata de montar o seu plano de aula. Na graduação, todas as disciplinas esportivas exigem vários planos de aula, uns inclusive durante avaliações, com poucos minutos para criar, contando as outras questões da avaliação. Felizmente isso não foi problema para mim, pois já fazia planos de aula antes, porém a graduação me forneceu um modelo formal e organizou muitas coisas, facilitando esse processo.

Etapas de uma aula de esporte/dança/artes marciais que são gerais:
– Conversa inicial
– Aquecimento
– Parte principal
– Volta à calma
– Outra conversa, opcional.

O que incluir no plano de aula: o tempo de cada atividade; o objetivo da aula; a descrição de cada atividade de forma que outra pessoa que não você possa entender – pois assim se você esquecer como é feito, o que você escreveu será sua referência; e observações que você captou em outras aulas para lembrar de fornecer correções para as alunas.

Estas seriam etapas de um plano mais formal. Porém, mesmo em seu caderninho, você inclui estas informações mesmo escrito à caneta com letra rápida e com a folha amassada. Quando não tenho tempo para fazer algo mais elaborado, escrevo em tópicos para me lembrar rapidamente quando eu olhar, sendo que mesmo não incluindo o assunto da conversa, ou o tempo de cada atividade, eu pelo menos incluo a data e a turma. O ideal é que tenhamos tempo e façamos um plano com um pouco mais detalhes do que isso, fazendo uma boa referência para você mesmo.

E não é melhor só gravar um video com a sequência? Primeiro, sua aula consiste apenas de uma sequência? Segundo, gravar o vídeo para você olhar em horários fora da aula é importante, mas não recomendo depender de vídeos para durante a aula, pois leva tempo para olhar, e pedir licença para olhar um vídeo fica um pouco mais estranho do que olhar uma folha de papel.. na minha opinião. Então sim, colocar a sequência caso você tenha o risco de esquecer é bom. Eu desenvolvi um sistema de notação para dança oriental para meu uso próprio, que utilizo para tribal fusion também, mas se você utiliza palavras, ou desenhos, tudo o que lhe ajudar melhor na visualização e memorização, é bem vindo. A seguir irei fornecer um modelo de plano de aula para dança do ventre de 1h30, sendo que não é o “jeito certo” e o tempo de cada atividade não é obrigatório, porém este modelo serve para facilitar a construção do seu próprio plano. Exemplo, o tempo de aquecimento você pode querer colocar 10 minutos para incluir mais treinos dentro dele, ou uma atividade demorada pode levar 25 minutos, e você distribui conforme a necessidade.

Modelo de plano de aula para dança oriental:

Plano de Aula – modelotempoobservações
Objetivo da aula: treinar braços, movimentos sinuosos, continuar o estudo da música X.
1. Conversa inicial
– assunto: letra da música sendo trabalhada em aula.
5 minfalar sobre os atrasos.
2. Aquecimento
– Obs: preparar os braços para a atividade 1. Preparar o quadril para as outras atividades e os movimentos que serão feitos. (isso serve para você escolher quais alongamentos e movimentos de aquecimento irá usar).
5 min
3. Parte principal
– Atividade 1: port-de-bras. exercício de improviso.
– Atividade 2: treino isolado dos deslocamentos da sequência. Treino dos movimentos de quadril da sequência.
– Atividade 3: sequência.
– Atividade 4: exercício: modificar a sequência, substituindo 2 movimentos dela por 2 movimentos que gosta mais.
– Atividade 5: treinar expressão facial ao fazer a sequência de acordo com a letra.
15 min para cada atividade (distribuição varia com a necessidade)prestar atenção nos pés da aluna X.

corrigir o oito pra frente da aluna Y.
4. Volta à calma
– Alongamento. Manter cada posição por 30s.
3 min
5. Conversa final
– se necessário, fazer alguma observação para a turma. Usar este tempo para os “avisos paroquiais” também – avisos de shows, workshops etc.
2 min
modelo de plano de aula de dança oriental.

Espero que seja útil!
Dê os créditos caso utilize este texto, assim você apoia um artista!

Aline Pires é professora e bailarina de dança oriental e tribal fusion, graduanda em Educação Física na UFSC.

Sala de aula

foto: Diana Souza

Olá! Estou iniciando aqui uma série de textos que irão abordar temas de sala de aula de dança oriental e de tribal fusion. Neste texto iremos falar de aulas de dança oriental, porém serve para os dois, pois comportamento não depende de estilo ou modalidade.

O tema deste texto é: Professor(a), qual sua atitude quando a aluna demonstra técnica superior à sua?

Já passei por isso no papel de aluna e de professora. Vou contar alguns episódios aqui, e dentre as vezes que passei por isso como aluna, irei destacar duas ocasiões, sendo que teremos a professora 1 e a professora 2. A professora 1 é uma professora de um estúdio pequeno (ela não é de SC, fiquem tranquilas, profes kkk), com várias conquistas de competições locais não relacionadas à dança oriental. Ela tem poucos seguidores nas redes, porém seu estúdio normalmente tem bastante alunas. Ela não tem muito reconhecimento no mundo da dança oriental. A professora 2 é reconhecida internacionalmente. Já dançou no Egito, é uma celebridade nacional e muito respeitada pela comunidade da dança oriental. Seu estúdio está sempre cheio, e seu nome está em vários festivais pelo país. Vamos então às situações:

Na aula da professora 1, eu e outra aluna acabamos por demonstrar técnica superior à ela em alguns movimentos que ela estava propondo. Além disso, eu e esta outra aluna a auxiliávamos quando ela se esquecia da coreografia. Sua atitude: 1. tentar desesperadamente encontrar algum erro na execução dos movimentos. Eu fiquei muito agradecida, pois eram erros que não havia percebido, e foi muito útil. 2. Demonstrou nervosismo. 3. elogiava as outras alunas para que todos desviassem o olhar de mim e da minha colega. 4. dispensava as observações sobre as coreografias e decidia mudar na hora os passos por diversos motivos.

Na aula da professora 2, acabei por executar bem um movimento que ela passou, e era uma honra estar em sua classe. Sua atitude foi imediata. Ela apontou para mim com orgulho e falou “Olhem, pessoal! É assim que se faz!” Eu com vergonha, parei de realizar o movimento e fiquei toda vermelha. Ela pediu: “Não pára não! Quero que eles vejam, continua!”. Ela reconheceu imediatamente, e ajudou os alunos a visualizarem melhor o que era para ser feito.

Agora, vamos analisar os currículos das professoras 1 e 2 mencionados acima. Será que a atitude delas tem algo a ver com o quanto elas são reconhecidas? SIM. Se sua atitude é como a da professora 2, você tem várias vantagens. Você vive de forma mais leve; procura treinar aquilo que alguém faz melhor que você para que alcance aquele resultado também, e você tem humildade. Isso levou a professora 2 ao status que tem hoje, pois ela é facil de lidar, os contratantes a amam! E ninguém é muito bom em tudo. Quando uma aluna faz melhor que você, isso não é motivo de vergonha. Isso é motivo de celebração; faça uma festa na sala de aula no momento que isso acontecer, faça daquele momento um momento bom, divertido e leve.

Aconteceu comigo como professora também, claro. Todos os professores de dança estão sujeitos a isto, pois nunca sabemos o nível de experiência do aluno – às vezes ultrapassa o seu, e tudo bem, porque ele está ali para treinar e você para ensinar, não para dar um show. Vou contar duas situações que aconteceram comigo no papel de professora. Estou expondo aqui, porque você, professor, deve olhar para dentro de si e verificar suas atitudes. É difícil reconhecer erros na gente, sempre achamos que estamos arrasando, não é?

Na primeira vez de imediato me senti um pouco envergonhada. A sensação de explicar como fazer algo para alguém que faz bem melhor que você é no mínimo, estranha; adicione o fato de estar na frente de outras 8 pessoas, e quem é professor inexperiente e novo no mercado como eu era na época, tem um pouco de dificuldade. Mas isso foi só nos primeiros segundos. Depois que continuei vendo a menina dançar, o que pensei foi que fiquei muito feliz e orgulhosa de ter aquela pessoa como aluna, me senti honrada por ter sido escolhida por ela. Quando conversamos, ela revelou que seu tempo de experiência realmente ultrapassava o meu, por uns 10 anos. E tudo bem! Porque seu objetivo ali era “tirar a ferrugem”, e pra ela não importava quanto tempo de dança eu tinha, e sim o que eu poderia oferecer pra ela em termos de treinamento. Na segunda vez, já bem mais experiente e tranquila, usei a pessoa como exemplo para as outras alunas, para que elas tivessem um estímulo visual melhor do que o que eu poderia oferecer. Ela ficou envergonhada, mas também com orgulho de si mesma e do que ela podia fazer. As outras alunas a encorajaram, fazendo um momento agradável na aula, com diversão!

Com carinho,
Aline Pires

Meu Instagram: @alinepiresbellydance

Aline Pires é professora e bailarina de dança oriental e tribal fusion e graduanda em Educação Física pela UFSC.